sábado, 12 de janeiro de 2013

O Comodismo brasileiro



O Brasil, que passou tantos anos sob ditadura militar e perseguição e que conseguiu a sua democracia de volta, está vivendo um gradual processo de retrocesso. Digo isso porque tenho notado uma inversão de papéis na história, mocinho virando bandido e vice-versa.
Para embasar minha teste, vou voltar a 2001, que considero o fundo do poço do superestimado governo FHC: o apagão.
Vivemos meses de muita incerteza e falta de confiança, e juntando com o salário pífio oferecido pelas empresas, a falta de vagas no mercado de trabalho e também a dificuldade de se conseguir acesso ao ensino médio e superior, estávamos literalmente de quatro.
Todas as pessoas, sem exceção, estavam reclamando muito da nossa situação e já estavam cansados do blá blá blá de remédio amargo, cantarolado antigo governo durante os 8 anos de mandato. 
Avançando um pouco no tempo, em 2002, finalmente o Brasil deu um voto de confiança para uma proposta que colocava o povo em primeiro lugar, e escolheu o Lula como seu presidente.
Em seu mandato, de 2003 a 2010, nós vivemos uma verdadeira revolução na qual praticamente todas as classes sociais participaram, principalmente aqueles que não tinham nada. Lula cumpriu a sua principal promessa de combater a desigualdade e distribuiu renda como nenhuma outra pessoa nesse planeta o fez.
Só não fez mais, porque uma parte da nossa sociedade que tem muitos recursos, a que nós chamamos de Elite, não vê com bons olhos essa revolução.
Cansei de ler por aí gente falando que pobre não pode ter carro, ou como insinua a dês(elegante) Danuza Leão em um de seus “artigos” a fala de que Paris já não é chique porque muitos pobres estão podendo viajar para lá... enfim.
Explicando a tese:
Durante todo o governo do Lula, e também no atual, há uma propaganda extremamente negativa contra o pensamento social e uma apologia ao capital igualmente exagerada.
De tanto repetir que o dinheiro do bolsa família é pra sustentar vagabundo, de tanto ouvir sobre problemas de alcoolismo do presidente, de que o governo é ladrão, dentre outras que não caberiam aqui, começamos a nos esquecer do que passou recentemente em nossa história e começaram a endeusar a quem outrora nos colocou na cama com o FMI.
A geração está crescendo, já vota e aprende diariamente a idéia de que estávamos melhor na época do FHC, seja em casa, com os pais, seja na TV destruindo cérebros com programas preconceituosos e ridículos, seja nas escolas e faculdades, com professores mauricinhos, que melhoraram de vida nos últimos 10 anos e mesmo assim, não aceitam o estilo de governo que mais está proporcionando melhorias para o povo desde que, pelo menos, quando  nasci, há 30 anos atrás.
Estou pasmo em ver jovens da minha faixa etária, que lutaram para colocar o povo no poder em 2002, se acovardarem e mudarem de lado justo agora, em que muitos conquistaram sua independência financeira e mudaram seu padrão de vida para melhor.
Cadê a esquerda e seus jovens? Cadê as pessoas dispostas a discutir de igual pra igual com um reaça? Ou mudaram de lado, ou se acomodaram.
É triste, mas ano que vem, se nada for feito quanto a isso, o povo, cego e surdo novamente, vai colocar os Lobos de volta no Palácio do Planalto, e aí tudo o que conquistamos está em risco.

4 comentários:

  1. Texto excelente Gabriel. Compartilhei no meu blog e twitter, de quebra, o FB tbm.

    Concordo com tudo, e para mim, precisávamos ter acordado ontem.

    A juventude de esquerda, viva,, ativa, guerreira, morreu. Não se vê mais os jovens indo às ruas. Só vejo a galerinha da direita, só ouço a voz dos reaças, seja na TV, nas ruas, nas faculdades, etc.

    Lembro-me sempre do que Paulo Henrique Amorim disse no Congresso da UJS ano passado, no Rio. Não foi exatamente com essas palavras, mas foi mais ou menos assim: "Não adianta gritar, protestar, fazer a festa toda ali dentro (do congresso), se não formos às ruas não servirá de nada." Dito e feito.

    12 de janeiro de 2013 13:01

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  2. Opa. Gabriel muito legal ter um blog. Só tenho uma coisa a te lembrar sobre o governo lulla e dilma. Mensalão.

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